A História dos Feirinos no Itamirim Clube de Campo


Saiba como começou essa tradição que ainda hoje é responsável por levar mais de mil sócios e dependentes ao clube durante os dias de semana


Atualmente o Itamirim Clube de Campo possui um total de 22 grupos de feirinos que praticam futebol, dois grupos que praticam vôlei e outros dois no tênis. Circulam nos dias de semana no clube um total aproximado de quase mil associados ou dependentes que participam de algum grupo de feirino, fora os que praticam outras atividades de lazer, esportiva ou cultural que o Itamirim oferece. Desse total, dois grupos de feirinos são exclusivamente de mulheres e um de crianças.


Esses números servem para mostrar e provar que os grupos de feirinos sempre deram vida ao Itamirim Clube de Campo, incentivando os associados a estarem presentes no dia-a-dia do clube, pois no final de semana a movimentação é garantida em função das rodadas do campeonato de futebol suíço.


A atual Diretoria sabe da importância que os feirinos representam para o Itamirim e o presidente Sérgio Werner determinou à diretoria de esportes que enquanto houver espaço na agenda semanal, outros grupos podem ser formados. É necessário apenas que os interessados entrem em contato com a Secretaria do Clube para saber das normas para a criação dos novos grupos.


A História


O sucesso que são os feirinos hoje é fruto de um trabalho que surgiu logo depois da fundação do Itamirim Clube de Campo, quando o Dr. Moacyr Werner, um dos idealizadores do clube, convidou um grupo de atletas que jogava futebol de salão na sede da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil)todas às quintas-feiras para começar a praticar o futebol no Clube, que ainda engatinhava e tinha uma estrutura muito acanhada.


Esse grupo, pela amizade com o Dr. Moacyr, aceitou trocar o futebol de salão pelo futebol suíço (na palavra de muitos, nem grama tinha, era apenas areião e capim) e assim começou a história dos feirinos no clube.


Logo em seguida vieram outros grupos de feirinos, que além da prática do futebol, tinham a missão de trazer pessoas para se associar e dar o pontapé inicial no clube que estava se formando, ajudando financeiramente na montagem da estrutura.


Para isso, na época, os grupos de feirinos foram fundamentais, porque além de incentivar a vinda de novos associados, ajudaram na compra e venda de rifas para a construção do Itamirim como conhecemos hoje.


O Início


Tudo começou com um grupo de amigos que jogava futebol de salão nas dependências da AABB. Entre eles estavam Hélio Ramos, Toninho, Getúlio Garcia, Banga (pai), Vidal, Paulo Soares, Willy Werner, Mima, Traira, Checo, Brucutu, Reverendo, Daco, Cabeça, entre outros. Quem nos narra essa história é Celso Praun, hoje com 71 anos. Em 1972, pouco tempo após a fundação do Itamirim Clube de Campo, o grupo foi convidado para jogar no clube por um dos fundadores, Moacyr Werner, amigo de longa data de Praun. O grupo já se reunia para jogar futebol de salão há pouco mais de dois anos. De acordo com Celso Praun, nem todos eram associados ao clube, mas mesmo assim foram convidados a praticarem seu esporte semanalmente no recém formado clube. Entretanto, o Itamirim não possuía quadra de futebol de salão, o que fez com que o grupo trocasse a quadra de cimento pelo futebol society. Os amigos realizavam suas partidas sempre nas quintas-feiras, por isso o grupo se tornou conhecido como 5ª A.


Na época, o clube tinha uma estrutura mínima que, segundo Praun, resumia-se ao campo de futebol e uma barraquinha onde faziam churrascos toda semana. Com o tempo, mais pessoas foram se juntando ao grupo, e outros grupos foram se formando, dando início assim aos Feirinos como se conhece hoje. Celso não é mais feirino, porém admira-se com a evolução do Itamirim. "O Itamirim evoluiu muito com o passar dos anos. Atualmente ele oferece uma estrutura fantástica".


O 5ª feirinos abriu as portas para os demais grupos que vieram posteriormente. Logo em seguida, em 1973, foi criado o grupo 4ª A. Um dos fundadores da equipe, Luis Antônio Razzini conta que ele e o amigo Maury Werner, conhecido como Moringa, ambos também fundadores do Itamirim, tinham um bom relacionamento com funcionários da antiga empresa Ceval. A empresa pediu que eles montassem um grupo de futebol para competir contra o time da diretoria. Com isso, Moringa juntou um grupo de amigos e conhecidos para formar o time que costumava realizar suas partidas na cidade de Ilhota. Com o tempo o grupo resolveu jogar sem precisar sair da cidade, surgindo assim a ideia de praticar o esporte no Itamirim Clube de Campo e consequentemente montar um grupo de feirinos. Além de Moringa e Razzini, na época também fizeram parte do grupo, Perácio, Renato Sargento, Rudi Krause, Rudi Carioca, Zema, Rui Rodrigues, Nivaldo Schiffler, Mauri Mendonça (Piriquito), Osnildo do Beira Saco, Enio, Antoninho Carvalho, Itamar do Bradesco, Luiz Wippel, Chico da Barra, Calef Morgado (Finho), Ailton Peixer e Carlos Antonio Borba.


Borba, como é mais conhecido, lembra-se como se fosse hoje da importância que os feirinos que iniciaram no Itamirim tiveram na construção do clube. "Por sermos os primeiros e desfrutarmos de um círculo de amizade no município, tínhamos a incumbência de convidar as pessoas para se associarem ao clube. Além disso, nós também queríamos ver o clube crescer, porque acreditávamos naquele embrião do qual todos estávamos fazendo parte. E valeu acreditar, valeu trabalhar, porque o Itamirim é hoje um orgulho para todos nós".


O terceiro grupo de feirinos do Itamirim foi o 6ª A. Antônio Zagari, o Toninho, junto com o Vilson do Ataliba e o Beto do Itaú montaram o grupo em 1980, com a finalidade de se divertirem entre amigos. Na época, o clube tinha poucos associados e os amigos resolveram formar a equipe para trazer um maior número de pessoas para o local e assim proporcionar mais eventos de lazer. Entre os antigos participantes também estão Freire, Sasse, Seara, Nilton Cascalho, Agnaldo, Florivaldo Diniz e Bilé, sendo este último o criador do símbolo do grupo, o gato preto que faz referência à sexta-feira. Nenhum dos fundadores da equipe está mais entre o grupo. Entre os participantes mais antigos que ainda fazem parte dos 6ª feirinos estão Paulo Forbeci, Carlos Weiss, Moacir Sandri, Luis Alberto Werner, Julio Bastos, Edésio Silva, Arno Bittencourt e Geraldo. De acordo com o atual presidente do 6ª A, Carlos Weiss, o grupo é como uma grande família. "Nossos filhos cresceram juntos, nossas esposas são amigas, é um grande grupo de amigos de longa data".



As mulheres no futebol – A evolução


O mais visionário dos fundadores do Itamirim Clube de Campo não poderia imaginar naquela época que um clube criado principalmente para a prática do tênis e do futebol, fosse algum dia ter campeonatos de futebol suíço com equipes exclusivamente femininas e mais ainda, ter feirinos de futebol formados só por mulheres.


Não se trata de machismo, mas os grupos de feirinos sempre foram, vamos dizer assim, um reduto masculino, uma forma de os homens saírem de casa, se encontrarem com os amigos, colocarem o papo em dia, comer e beber e por fim jogar um futebol.


Mas os tempos mudaram em todos os setores da sociedade. A mulher conquistou espaços antes dominados pelos homens e no Itamirim não poderia ser diferente. Reuniram-se e também formaram grupos de feirinas, depois que começaram a participar dos campeonatos de futebol suíço do Itamirim. Hoje existem dois grupos formados exclusivamente por mulheres, que se reúnem uma vez por semana para bater papo, comer, beber e também jogar futebol.


O primeiro grupo que surgiu foi em 2008, o 3ª D, formado por mulheres associadas do clube. A atual presidente da equipe, Alessandra Truppel Alexandre, conta que o grupo de amigas treinava vôlei e ficou sem poder praticar o esporte quando o ginásio do clube entrou em reforma. Como elas já jogavam futebol em campeonatos do Itamirim, resolveram partir para o esporte e fundar um grupo de feirinas. Além de Alessandra, diversas integrantes que iniciaram o grupo ainda fazem parte dele, sendo elas: Paola Moretto, Taísa Corrêia, Thammy Corrêia Kalil, Joelma da Silva, Fabiana Pereira, Vânia Afonso, Danusa Viti, Mariana Ferreti e Maria Eugênia Schulz. Atualmente com três anos de existência e 28 feirinas, a equipe se mantém ativa e, de acordo com Alessandra, apesar da novidade no início, o grupo sempre foi muito bem recebido pelo clube.



Feirinos a partir dos 6 anos de idade


Se os feirinos ajudaram no início do Itamirim, colaborando na busca de novos associados e também financeiramente, vendendo rifas para construção de campos e barracas e são importantes hoje, dando uma movimentação diária no clube na prática de diversos esportes, a criação de um grupo de feirinos infantil está sendo de fundamental importância para a continuidade dessa atividade.


Criado há dois anos, o 3ª E Infantil surgiu para dar espaço às crianças de 6 a 12 anos que participam dos campeonatos de futebol suíço do clube, mas que ainda não faziam ideia do que era um feirino, a não ser por ouvir falar pelos pais. "Quando criamos o feirino infantil tivemos esse objetivo, inserir ainda mais as crianças no clube, mostrar como funciona um feirino, já que a dinâmica é igual a dos adultos, para que eles, quando tiverem uma idade maior, possam migrar para outros grupos já devidamente preparados", conta o atual presidente do grupo, Fernando Moreira.


Segundo ele, as crianças são o futuro do nosso clube e nada melhor do que elas, que já participam de campeonatos de futebol suíço desde a categoria fraldinha, tenham oportunidade de integrarem-se ainda mais, conhecendo as estruturas as quais estarão inseridas quando forem mais velhas. Este feirino, por sinal, é composto atualmente por cerca de 25 crianças e está aberto a qualquer dependente do clube na faixa etária citada.